Buscas sem clique: o que a pesquisa da SparkToro revela sobre as mudanças no Google

As buscas sem clique dominam o cenário digital atualmente. A nova pesquisa da SparkToro, assinada por Rand Fishkin, que utilizou dados da Similarweb para a análise, revela um dado alarmante. Nos Estados Unidos, 68,01% das pesquisas no Google terminaram sem clique entre janeiro e abril de 2026. O número representa uma alta expressiva. Em 2024, esse índice era de 60,45%. O Google retém cada vez mais usuários no seu próprio ecossistema e agora ainda conta com várias ferramentas de IA para ajudar. Consequentemente, isso afeta diretamente sites independentes e portais de notícias, então vamos analisar a pesquisa.

O que significa a busca sem clique na prática

Uma busca sem clique não indica apenas um usuário satisfeito, pois o conceito envolve múltiplos cenários na página de resultados.

O usuário pode ler uma resposta direta, fazer uma nova pesquisa imediatamente. E o Google também exibe Visões Gerais Criadas por IA, mapas, vídeos e painéis informativos com vários tipos de dados estruturados. Imagens e anúncios do Google Ads também capturam a atenção e as primeiras posições nas SERP. Muitas vezes, os usuários simplesmente abandonam a jornada.

Portanto, o buscador resolve a intenção de busca internamente em muitos casos e não precisa enviar o tráfego para a fonte original da informação.


Crescimento das buscas sem clique no Google entre 2016 e 2026, segundo a SparkToro
“Crescimento das buscas sem clique no Google entre 2016 e 2026” — SparkToro/Jumpshot/Datos/Similarweb

Open web em baixa

Segundo os dados, 39% das buscas terminam sem nenhuma ação. Outras 29% geram uma nova consulta. Apenas 32% produzem algum clique. Desses cliques, 66% vão para a rede aberta. O Google direciona 27% para propriedades como YouTube. Os anúncios pagos recebem 6%. Em resumo, a cada 1.000 buscas, apenas cerca de 232 cliques chegam aos sites independentes.


Distribuição do que acontece depois de uma busca no Google em 2026, segundo análise da SparkToro com dados da Similarweb
“O que acontece depois de uma busca no Google em 2026” — SparkToro/Similarweb

Com isso, a parcela de tráfego que chega aos sites externos encolheu. Barry Schwartz, no Search Engine Roundtable, classifica a tendência como preocupante e destaca que a distribuição de cliques prejudica a web aberta. Matt G. Southern reforça essa visão no Search Engine Journal.

Visões Gerais Criadas por IA aceleram uma tendência antiga

O fenômeno das buscas sem clique antecede a inteligência artificial. No entanto, os recursos generativos tornam o cenário mais agressivo como explica Danny Goodwin no Search Engine Land, pois as Visões Gerais Criadas por IA aparecem em mais de 20% das pesquisas e a SparkToro cita dados da Ahrefs sobre esse impacto, com a taxa de cliques caindo quase 60% com isso.

O Google sintetiza o conteúdo de terceiros e entrega a resposta pronta no topo da página, reduzindo drasticamente a necessidade de visitar a fonte da informação.

Modo AI ainda é tem pouco impacto, mas muda o jogo

Durante o período analisado, o Modo IA teve uma participação pequena. Apenas 0,34% das buscas migraram para esse ambiente fechado. Contudo, esse recurso pode alterar rapidamente o comportamento dos usuários porque transforma a busca em um diálogo contínuo e os usuários consomem respostas sem navegar por links azuis. Com uma nova interface imersiva para prender a atenção dos usuários, o tráfego orgânico tradicional perde espaço no dia a dia.

Queda de tráfego e dependência do Google

A busca deixou de funcionar como uma ponte neutra e, segundo Rand Fishkin, o Google atua hoje como um jardim murado e, como o motor de busca possui incentivos financeiros para reter os usuários, isso acaba criando uma contradição estrutural grave. Várias sites fornecem conteúdo e autoridade gratuitamente e esses dados servem para criar respostas mais práticas e ágeis. Em troca, os sites recebem proporcionalmente menos tráfego e essa dinâmica prejudica a economia da visibilidade, nos modelos de monetização baseados em pageviews e anúncios, causando perda de receita e leads para sites e portais de conteúdo.


Gráfico da SparkToro sobre buscas no Google, cliques e buscas sem clique
“Percentual do tráfego por fonte” — SparkToro/Ahrefs

Na nossa experiência, costumamos ver o tráfego proveniente do Google ocupar mais de 50% da origem dos cliques e, em casos de sites com base de usuários pequena ou praticamente nula, esse número é maior ainda. Afinal, as redes sociais, sem necessitar de IA, já resolveram isso há anos com algoritmos, favorecendo criação de conteúdo nativo, sem links de preferências, e dificultando cliques para fora da plataforma.

SEO continua importante, mas não resolve tudo

A otimização técnica e a autoridade continuam fundamentais, porém, estratégias tradicional já não sustenta um negócio sozinho e Rand Fishkin recomenda investir fortemente na marca.

Profissionais precisam integrar o SEO a outras disciplinas envolvendo IA e ferramentas de terceiros. As empresas devem fortalecer canais próprios e redes sociais, voltar a usar estratégias de newsletters e manutenção de comunidades internas, como nos velhos tempos.

Afinal, a busca direta pela marca ganha um peso enorme com esses avanços no Google e a presença em plataformas de vídeo também diversifica os acessos, já que o foco está migrando cada vez mais da atração para o site para a retenção dos usuários em torno da marca, independente da plataforma.

Novas estratégias de conteúdo

Conteúdos informacionais simples sofrem o maior impacto porque o Google responde facilmente a essas dúvidas na própria SERP. Portanto, os sites devem priorizar a profundidade que as ferramentas de IA ainda não oferecem. Então artigos com opinião forte e experiência própria ganham destaque e dados originais e utilidade prática diferenciam o material.

Já páginas comerciais e de alta intenção ainda geram valor orgânico e, além disso, buscas locais e de marca mantêm um bom desempenho. E até aparecer em respostas de IA constrói autoridade de uma certa forma mesmo sem gerar um clique rastreável.

Limitações da pesquisa

A pesquisa da SparkToro exige uma leitura crítica aqui no Brasil, já que o estudo analisa exclusivamente o mercado dos Estados Unidos. Portanto, não devemos replicar esses dados automaticamente ao Brasil.

Ademais, a própria SparkToro alerta para as limitações metodológicas. As comparações históricas envolvem fornecedores diferentes, como Jumpshot, Datos e Similarweb e quem trabalha com dados sabe a diferença que isso pode fazer. Além disso, a metodologia exclui buscas no aplicativo móvel do Google e a empresa contesta publicamente a narrativa de queda, afirmando que o volume de cliques orgânicos permanece estável. E o Google adverte contra ferramentas de SEO de terceiros também.

Mesmo assim, a tendência geral exige adaptação.


Enfim, os dados da SparkToro não decretam o fim das estratégias de SEO, mas complicam ainda mais o trabalho na área na busca por resultados, pois a presença no topo do Google não garante mais tráfego e isso vem diminuindo ano após ano. A disputa atual exige muito mais do que visibilidade, já que as marcas precisam construir autoridade real e recorrência, então o relacionamento direto com o público se torna ainda mais importante. E, em resumo, é importante que blogs, sites e portais reduzam a dependência exclusiva do tráfego orgânico e melhorem a experiência do usuário internamente e nas plataformas onde estão presentes. Afinal, todos precisam agora encontrar novos caminhos de sustentabilidade para os negócios quando há novos obstáculos dificultando os cliques.

Escrito por
  • Responsável técnico de portais de notícias de futebol, especialista em SEO. Com ampla experiência no desenvolvimento de WordPress websites, Android apps, Reddit bots, Unity 3D e GPT prompts desde 2014. E certificação em Governança das Plataformas Digitais, LGPD, Python para NLP, Lógica Fuzzy, Computação em Nuvem, IA Generativa em Marketing, Marketing e Comunicação Digital e Gestão Estratégica de Marcas pela USP, além do treinamento completo do Google News Initiative.

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