

Composição artística unindo ruínas clássicas, teatro grego e esculturas da Antiguidade.
A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) promove uma formação aberta ao público sobre as origens da tragédia grega antes de Ésquilo. A iniciativa investiga o período Arcaico do teatro ateniense e revisita autores pioneiros que estabeleceram as bases dramáticas no mundo clássico. Além disso, as aulas ocorrem de maneira totalmente remota e gratuita em outubro de 2026.
O surgimento do drama grego conecta rituais religiosos, poesia coral e celebrações dedicadas ao deus Dioniso. Durante séculos, os pesquisadores analisaram como os cantos do ditirambo deram lugar aos primeiros diálogos representados. Nesse contexto, a pólis (πόλις) grega transformou antigas manifestações performáticas em concursos cívicos e artísticos estruturados.
Portanto, entender essa fase inaugural exige examinar a transição entre o recital épico e a encenação dramática. O nascimento da tragédia revelou novas formas de expressão poética, embora os registros da época permaneçam escassos.
A tradição antiga atribui a Téspis a criação do primeiro ator individual, o chamado hypokrités. Ao responder ao coro, Téspis inaugurou o diálogo cênico fundamental para o desenvolvimento do teatro ocidental. Dessa forma, o dramaturgo estabeleceu uma ruptura essencial com as apresentações estritamente corais.
Logo depois, Frínico expandiu as possibilidades cênicas ao introduzir personagens femininas e melodias elaboradas. Ele também abordou eventos históricos contemporâneos, como na peça sobre a tomada de Mileto. Ambos os poetas consolidaram convenções artísticas cruciais que influenciaram as gerações posteriores.
Muitos leitores associam o teatro grego apenas a Ésquilo, Sófocles e Eurípides. Contudo, o período Arcaico produziu uma rica tradição dramatúrgica que antecedeu as grandes obras canônicas preservadas. Os primeiros tragediógrafos experimentaram estruturas métricas, máscaras e dinâmicas de encenação que moldaram os festivais atenienses.
Dessa maneira, o curso da FFLCH investiga as continuidades e os contrastes entre esses autores primordiais e os dramaturgos clássicos. Os participantes poderão compreender as origens da tragédia grega antes de Ésquilo a partir de uma abordagem acadêmica rigorosa e multidisciplinar.
O estudo da dramaturgia arcaica impõe severos desafios metodológicos aos pesquisadores contemporâneos. A maior parte dessa produção literária não sobreviveu em peças completas. Em vez disso, os especialistas trabalham com citações indiretas, testemunhos antigos e fragmentos de papiro preservados pelo tempo.
Por essa razão, os historiadores analisam criticamente os registros de Aristóteles e de comentadores tardios. O trabalho filológico exige cautela para evitar especulações anacrônicas. Os alunos aprenderão a avaliar essas evidências históricas respeitando os limites dos documentos existentes.
A formação estrutura o conteúdo em três sessões virtuais com abordagem direta e acessível. O curso acontece de 05 a 07 de outubro de 2026, sempre das 10h às 11h20, com transmissão ao vivo via Google Meet.
A coordenação acadêmica está sob a responsabilidade do Prof. Dr. Breno Battistin Sebastiani, docente da FFLCH-USP. O pesquisador Matheus Fernandes Moreira ministrará as aulas. O programa atende tanto estudantes universitários quanto o público geral interessado em literatura clássica.
O processo de seleção oferece 60 vagas gratuitas destinadas a todos os interessados. Os candidatos devem realizar a inscrição entre os dias 25 de setembro e 01 de outubro de 2026 pelo Sistema Apolo da USP, pois a universidade realizará o sorteio público dos inscritos no dia 02 de outubro de 2026. Para conferir o edital completo e garantir a sua inscrição, acesse a página oficial da FFLCH-USP. Em caso de dúvidas sobre o evento, envie uma mensagem para o e-mail agenda@usp.br.
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